Um grupo composto por 20 estudantes do sexto ano do curso de medicina da Universidade Zambeze (UniZambeze), em estágio integral, estão acampados defronte do Ministério da Saúde (MISAU), em Maputo, desde esta segunda-feira (13) para reivindicar o pagamento de subsídios em atraso.
Os estudantes estão sem receber há dez meses. Esgotadas todas as formas de resolver o problema, segundo afirmaram, optaram por vir a capital do país, exigir os seus direitos. Aliás, a falta desses subsídios começa a afectar as condições de alimentação, transporte, habitação e outras despesas.
“Desde que começamos o estágio, em Maio do ano passado, nunca recebemos uma quinhenta”, disse o representante, Moisés Matola, acrescentado que alguns colegas perderam bens por conta dessa falta dos subsídios.
Em meio a esse desespero, juntaram o que conseguiram e vieram a Maputo, chegando aqui na madrugada de domingo e logo na segunda-feira, munidos de esteiras, “montaram acampamento” no MISAU.
“Tivemos que recorrer a agiotas, penhorar nossos computadores, para ter dinheiro para vir à Maputo. Mas não temos logística para comer e nem dinheiro de regresso”, salientaram.
Num encontro que tiveram com o Secretário Permanente, na mesma segunda-feira, nada foi resolvido, tendo sido marcado um segundo encontro para esta terça-feira (14).
O que mais dói a estes estudantes e que seus colegas do curso de medicina da Universidade Eduardo Mondlane já receberam os seus subsídios. Em meio a este barulho todo, a única certeza é que eles não abandonam o local sem receber o confirmado nas contas.
Segundo encontro não deu em nada
Marcado para as 12 horas, o segundo encontro entre os estudantes e os representantes do MISAU, não aconteceu. Eles ficaram horas à espera e ninguém apareceu.
Revoltados, os estudantes prometeram aumentar o tom da reivindicação. Visivelmente revoltados, os estudantes, a saída do encontro que não aconteceu, prometiam que iam levar os seus pertences na residência que estão abrigados, e voltar com força máxima para continuar com o acampamento a porta do Ministério da Saúde.
Em comunicado de imprensa emitido esta segunda-feira, o MISAU reconhece a existência de atraso no pagamento dos subsídios, alegando que a situação está em tratamento ao nível dos Serviços Provinciais de Tete e Nampula e da Direção de Administração e Finanças.
“Foram adoptadas medidas que permitirão a regularização dos pagamentos em atraso e a cabimentação dos meses subsequentes, garantindo a continuidade do processo”, lê-se no documento.
O ofício ainda refere que o Ministério está a envidar esforços para regularizar integralmente os pagamentos em atraso e apela à compreensão e serenidade por parte dos estudantes. (Tânia Pereira)
