A actual crise de abastecimento de combustíveis em Moçambique resulta de uma combinação entre factores externos e limitações internas do sector, segundo o Governo.
No comunicado divulgado este domingo, o Executivo aponta para o impacto da guerra no Médio Oriente, que levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota por onde circula uma parte significativa do comércio global de combustíveis.
Apesar disso, o Governo afirma que o país mantém reservas nos terminais, mas enfrenta dificuldades no abastecimento aos postos. “Apesar da disponibilidade de combustível (…) tem-se assistido (…) a uma situação de escassez”, refere o documento.
Entre os factores internos, o Executivo destaca problemas financeiros de algumas distribuidoras. Segundo o comunicado, há empresas que “estão descapitalizadas”, o que limita a sua capacidade de adquirir combustível nos mercados internacionais.
A fiscalização revelou também falhas na distribuição. Foram identificados casos em que o combustível levantado não correspondia ao volume recebido nos postos.
No terreno, a situação continua a afectar os consumidores. Na cidade de Maputo, automobilistas relatam dificuldades para abastecer e falta de previsibilidade. “Cheguei cedo, mas disseram que só havia para alguns carros”, contou uma cidadã ouvida pela nossa reportagem.
O Governo atribui ainda parte da pressão à procura elevada, referindo uma “corrida massiva de automobilistas aos postos de abastecimento”.
Como medidas de resposta, o Executivo anunciou a flexibilização de contratos de fornecimento, a extensão de garantias bancárias e a proibição da reexportação de combustíveis.
O Governo admite que os preços poderão ser actualizados nas próximas semanas, em função do aumento dos custos internacionais.
