Moçambique corre o risco de regressar à lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), caso abrande os mecanismos de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo.
O alerta foi lançado na cidade da Beira, província de Sofala, durante uma capacitação de magistrados e investigadores do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em matéria de crimes financeiros e combate ao branqueamento de capitais.
A formação foi promovida pelo Comité Executivo de Coordenação de Políticas de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais, Financiamento do Terrorismo e Proliferação de Armas de Destruição em Massa.
Durante a abertura da capacitação, representantes ligados ao GAFI defenderam a necessidade de Moçambique preservar as conquistas alcançadas nos últimos anos e preparar-se para a próxima avaliação mútua internacional, prevista para o período entre 2028 e 2030.
A saída de Moçambique da lista do GAFI foi amplamente celebrada como “uma grande conquista”, sobretudo para um país que tenta restaurar a sua reputação financeira, atrair investimentos e manter-se ligado aos canais bancários internacionais.
O país saiu oficialmente da lista cinzenta do GAFI a 24 de Outubro de 2025, após três anos sob monitorização intensiva. Integrava essa lista desde Outubro de 2022, devido a vulnerabilidades institucionais e a um quadro legislativo desactualizado, o que obrigou o governo a implementar reformas profundas, num esforço para reverter o cenário e restaurar a confiança económica.
Trabalhos preparatórios
Luís Cezerilo, representante do Ministério das Finanças e coordenador nacional do comité executivo de coordenação das políticas de prevenção e combate ao branqueamento de capitais, financiamento do terrorismo e proliferação de armas de destruição em massa, advertiu que o país corre o risco de regressar à lista cinzenta caso não continue a fortalecer os mecanismos de fiscalização, supervisão e aplicação da lei.
“Esta questão da avaliação mútua de 2028 é muito importante. Porquê? Porque se nós baixarmos os índices de organização a todos os domínios, dos aplicadores da lei, dos supervisores, das instituições não financeiras, se nós não continuarmos a fortificar o nosso sistema através de acções concretas nesses três domínios, a probabilidade de regressar à lista cinzenta é iminente”, disse Cezerilo.
Explicou ainda que os trabalhos preparatórios para a próxima avaliação começam já em Setembro de 2027, exigindo maior coordenação institucional e acções concretas de prevenção.
Cezerilo sublinhou ainda que o reforço das capacidades das instituições financeiras e não financeiras é essencial para evitar fragilidades no sistema nacional de combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.
