O Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Banco Nacional de Investimento (BNI), Omar Mithá, alertou que o futuro Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) pode transformar-se num “saco azul”, caso não sejam criados mecanismos rigorosos de governação, transparência e critérios técnicos na selecção dos projectos a financiar.
Falando num debate intitulado ao tema, “como financiar o crescimento de Moçambique promovido pelo Moza Banco e subordinado ao tema – como financiar o crescimento de Moçambique:
o papel do Banco de Desenvolvimento e da banca comercial -, Mithá referiu que a criação de um banco de desenvolvimento pode ser uma oportunidade para apoiar empresas nacionais, mas advertiu para o risco de repetição de experiências passadas envolvendo instituições financeiras públicas que acumularam créditos malparados e acabaram em dificuldades, levando os bancos à falência devido à corrupção.
“O risco é que se transforme num saco azul. Um saco azul porque pode ter critérios diferentes”, afirmou, defendendo que o acesso aos fundos deve depender da viabilidade dos negócios e não de ligações políticas ou interesses particulares.
Segundo o PCA do BNI, existe o perigo de o chamado “cronismo” influenciar o funcionamento do BDM, permitindo que empresas ligadas a grupos com influência política tenham vantagens no acesso ao financiamento, enquanto empresas economicamente viáveis podem continuar excluídas.
“Cronismo significa um grupo de pessoas politicamente associadas que têm privilégios, que têm empresas e que podem chegar ao BDM para ter acesso aos fundos, em detrimento de empresas que trabalham todos os dias e têm projectos viáveis”, explicou.
