A Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM-MOZ) revelou, nesta terça-feira, em Maputo, que os grupos terroristas que operam no norte do país protagonizaram cerca de 154 ataques nos últimos cinco meses, concentrando as suas acções em estratégias de rapto e posterior cobranças de valores monetários em forma de resgate.
Os dados foram apresentados pelo brigadeiro-general, Sérgio Estrela, comandante da EUMAM-MOZ, durante uma palestra subordinada ao tema “Contributo da Missão de Assistência Militar da União Europeia para a Defesa e Segurança de Moçambique”, organizada pelo Centro de Análise Estratégica da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CAE/CPLP).
Segundo o responsável militar europeu, a situação de segurança no norte de Moçambique continua preocupante, sobretudo devido à capacidade de movimentação dos grupos terroristas, que têm conseguido realizar incursões em diferentes pontos de Cabo Delgado e estender a sua actividade para outras regiões.
“Infelizmente, nestes últimos cinco meses, temos cerca de 154 ataques insurgentes”, revelou Sérgio Estrela, acrescentando que a violência continua concentrada em Cabo Delgado, embora já tenham sido registadas incursões para o Sul e Oeste, incluindo um ataque isolado na província do Niassa.
De acordo com os dados apresentados, a actividade insurgente afectou 16 distritos, dos quais 15 em Cabo Delgado e um no Niassa.
O comandante da missão europeia explicou que os ataques estão distribuídos por aproximadamente 120 localizações, situação que, na sua avaliação, demonstra que os grupos armados continuam a dispor de alguma liberdade de circulação.
Uma das principais constatações apresentadas pela EUMAM-MOZ prende-se com a mudança das tácticas utilizadas pelos insurgentes.
Segundo Sérgio Estrela, os grupos terroristas têm privilegiado ataques dispersos, procurando evitar concentrações que possam facilitar a resposta das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
“Estamos a falar de cerca de 120 localizações. O que é que isto implica? Implica que eles têm alguma liberdade de movimento e uma preferência por evitar concentrações, ou seja, evitam o contacto directo com as Forças Armadas de Defesa de Moçambique”, explicou.
