Moçambique ocupa o primeiro lugar a nível mundial num inquérito recentemente divulgado que mede o apoio público à criação de um parlamento mundial eleito por cidadãos para tratar de questões globais. O estudo global, encomendado pela organização Democracy Without Borders e realizado em 101 países que representam 90% da população mundial, mostra que quase 58% dos inquiridos em Moçambique apoiam a proposta, enquanto cerca de 20% se opõem. Isso coloca Moçambique entre os países com maior apoio à ideia no mundo.
Ivone Soares, deputada da Assembleia da República pela Renamo, acolheu com entusiasmo os resultados. “A posição de liderança de Moçambique neste inquérito global reflete as aspirações do nosso povo de ter voz nas decisões que vão além das nossas fronteiras. Seja nas mudanças climáticas, na justiça económica ou na paz e segurança, os problemas globais que enfrentamos exigem soluções democráticas à escala global. Um parlamento mundial representa dignidade e igualdade à escala internacional”, afirmou.
O inquérito revelou que o apoio em Moçambique é especialmente elevado entre os jovens, minorias étnicas e pessoas com rendimentos e níveis de escolaridade baixos ou médios. O apoio líquido no país situa-se em cerca de 38 por cento, muito acima da média global de 13. A África Subsariana como um todo demonstrou um forte apoio, mas Moçambique destaca-se como líder.
A organização Democracy Without Borders, promotora da iniciativa, afirma que os resultados mostram que muitos cidadãos, especialmente nos países com menor influência global, desejam superar um sistema internacional ultrapassado, dominado por Estados e elites. Defendem a criação de uma Assembleia Parlamentar das Nações Unidas como primeiro passo para um parlamento mundial democrático.
O relatório global do inquérito, divulgado nesta terça-feira, revela uma ampla vontade de reforma democrática global, sobretudo no Sul Global. Com o sistema internacional sob pressão de conflitos, autoritarismo e da crise climática, estas vozes apontam para a necessidade urgente de uma governação global mais inclusiva e responsável.
Em todos os 101 países inquiridos, 40% dos participantes expressaram apoio a um parlamento mundial eleito por cidadãos, 27% manifestaram oposição, e 33% mantiveram-se neutros. Maiorias relativas a favor foram registadas em 85 países.
