O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) garantiu, esta terça-feira, em Maputo, que a morte do cidadão português, Pedro Reis, de 52 anos, que compunha o Conselho de Administração do Banco Comercial de Investimentos (BCI), resulta de suicídio e não de homicídio.
Em conferência de imprensa, o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, foi peremptório: “Não havia dúvidas nenhumas até o presente momento de tratar-se de um caso de suicídio, não homicídio, conforme tem se propalado por aí”.
Segundo Lole, o corpo foi descoberto por volta das 22 horas no interior de um compartimento do banheiro do hotel, com a porta trancada por dentro. A vítima apresentava múltiplos ferimentos provocados por instrumentos perfurocortantes.
“Desferiu-se vários golpes, dentre esses golpes destacam-se os pulsos das suas mãos, nas costas, assim como no seu pescoço, assim como no seu peito, na parte do coração. Foram repetidos os golpes que ele se desferiu, que não deixaram dúvidas nenhumas que existia uma intenção clara de tirar a sua vida”, declarou o porta-voz, numa explicação que está a ser posta em causa em vários sectores.
O percurso antes da morte
A investigação reconstituiu os passos daquele que era executivo de um dos principais bancos a operar no país, depois de, esta segunda-feira, ter deixado a instituição bancária cerca das 14 horas.
O SERNIC revelou que o cidadão se dirigiu primeiro à sua residência, onde retirou uma faca da cozinha.
“Conforme podemos vislumbrar nas imagens, daquele porta-facas ele retirou uma faca e daquele local deslocou-se ou dirigiu-se a um estabelecimento comercial, ao nível da cidade de Maputo, na avenida da Marginal, onde teria adquirido, para além de outros bens, mais duas facas”, explicou Hilário Lole.
O percurso continuou até outro estabelecimento comercial onde, segundo as autoridades, o cidadão adquiriu veneno para ratos, da marca Ratex. “Foram encontradas partes dessa substância no seu organismo, mediante aquilo que foi feito um exame médico-legal no seu corpo. E foram encontrar no seu estômago essa substância denominada Ratex”, confirmou o porta-voz.
Facas adquiridas não foram utilizadas
As duas facas compradas no supermercado foram encontradas no interior da viatura da vítima, sem terem sido utilizadas. O SERNIC avança com uma explicação: “Entendemos nós que não foram usadas as outras adquiridas porque o mesmo poderia ter se apercebido que eram mais leves ou mais sensíveis em relação às facas que o mesmo trazia[da sua casa, retirada da cozinha], tanto é que não chegou a tirá-las da sua viatura [as duas facas compradas no valor de 632 meticais, de acordo com o recibo ]ou talvez não conseguiu ter espaço de levar essas facas para consigo na sua bolsa, porque estava lá acompanhado do seu motorista ou do seu guarda-costas.”
A conferência de imprensa contou com a apresentação de imagens de videovigilância que documentam o percurso do executivo, bem como comprovativos das compras efectuadas nos estabelecimentos comerciais.
O trabalho pericial foi realizado em coordenação com a Medicina Legal do Hospital Central de Maputo, na presença de magistrados do Ministério Público, segundo deu a conhecer o porta-voz. (Cleto Duarte)
