O Banco de Moçambique (BdM) e os bancos comerciais decidiram manter a Prime Rate, taxa de referência para a concessão de crédito a famílias e empresas, nos 15,70% em Fevereiro. Em Janeiro deste ano, a Prime Rate havia registado uma descida de 0,10 pontos percentuais, face a Dezembro, quando se situava em 15,80%.
A manutenção da taxa foi anunciada no quadro da implementação do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, instrumento que regula a formação das taxas de juro variáveis aplicáveis às operações de crédito no país.
Segundo a Associação Moçambicana de Bancos (AMB), a Prime Rate actualmente em vigor resulta da soma do Indexante Único, fixado em 9,50%, e do Prémio de Custo, estabelecido trimestralmente em 6,20%. A Prime Rate aplica-se às operações de crédito contratualizadas (novas, renovações e renegociações) entre as instituições de crédito e sociedades financeiras e os seus clientes, acrescida de uma margem (spread) que será adicionada ou subtraída à Prime Rate, mediante a análise de risco de cada categoria de crédito ou operação em concreto.
“No quadro da implementação do Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano, a Associação Moçambicana de Bancos comunica o indexante único, o prémio de custo e a prime rate a vigorar no mês de Fevereiro de 2026”, assinala a AMB em comunicado divulgado na sexta-feira passada.
A AMB explica que o Acordo sobre o Indexante Único do Sistema Bancário Moçambicano visa promover uma maior transparência no processo de fixação das taxas de juro variáveis no mercado e melhorar o mecanismo de transmissão da política monetária.
A manutenção da Prime Rate acontece dois dias depois do Comité de Política Monetária (CPMO) do BdM ter decidido reduzir a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 9,50 % para 9,25 %. O BdM justifica a descida pelas “perspectivas de manutenção da inflação em um dígito, no médio prazo, não obstante a materialização de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a ocorrência de inundações e para a intensificação das tensões comerciais e geopolíticas”. Em Dezembro de 2025, a inflação anual situou-se em 3,2%, após 4,4% em Novembro.
Mas o BdM alerta que face ao agravamento dos ricos e incertezas, aproxima-se o fim do ciclo de redução da taxa MIMO, um exercício iniciado em Janeiro de 2024.
“No curto e médio prazo, destacam-se, a nível doméstico, como riscos e incertezas associados às projecções da inflação, a magnitude do impacto das recentes inundações na cadeia logística e na oferta de bens, o ritmo da reposição da capacidade produtiva, bem como os efeitos dos atrasos no pagamento da dívida pública pelo Estado. A nível externo, destaca-se o agravamento das tensões comerciais e geopolíticas, susceptíveis de afectar o comportamento dos preços das mercadorias e alimentos”, lê-se na nota do regulador do sistema financeiro moçambicano.
