A partir de Março, o Diálogo Nacional Inclusivo entra numa nova fase, com a deslocação do processo para os postos administrativos e localidades, incluindo as zonas rurais. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo presidente da Comissão Técnica (COTE), Edson Macuácua, durante a apresentação do balanço das actividades de 2025 e do plano de acção para 2026
Segundo Edson Macuácua, a expansão do processo constitui a principal prioridade da Comissão Técnica para o presente ano. “A primeira prioridade é levar o Diálogo Nacional Inclusivo para se sediar ao nível dos postos administrativos e localidades. Durante os meses de Março, Abril e Maio, a sede do Diálogo Nacional Inclusivo vai deslocar-se para os postos administrativos e localidades, de modo que o processo seja mais inclusivo, mais representativo e tenha maior legitimidade”, afirmou.
O presidente da COTE explicou ainda que a iniciativa pretende garantir espaço de participação às populações rurais, tradicionalmente afastadas dos grandes fóruns de debate nacional. “Queremos que mais moçambicanos residentes nas províncias e, acima de tudo, ao nível do posto administrativo e das localidades, particularmente das zonas rurais, tenham oportunidade de participar, contribuir e fazer reflectir a sua visão naquilo que é a visão global dos moçambicanos sobre o futuro que todos nós pretendemos construir”, acrescentou.
A decisão de alargar o diálogo às zonas rurais resulta de um balanço considerado positivo das actividades realizadas em 2025. De acordo com a Comissão Técnica, o Diálogo Nacional Inclusivo consolidou-se como uma plataforma cívica de exercício da cidadania, da democracia e da soberania, contribuindo para o reforço da coesão nacional, da reconciliação e da paz.
Durante o ano passado, o processo contou com auscultações em todas as províncias do país e na diáspora, envolvendo cidadãos de diferentes estratos sociais. Foram igualmente realizadas mesas redondas com personalidades de reconhecido mérito, bem como encontros com grupos sociais específicos, como mulheres, jovens e pessoas com necessidades especiais, permitindo a recolha de contributos diversificados.
Outro aspecto destacado no balanço apresentado foi a participação de todos os partidos políticos no processo, que submeteram propostas concretas à Comissão Técnica. Para a COTE, este envolvimento plural reforçou o carácter inclusivo do diálogo e contribuiu para a renovação do contrato de confiança entre os cidadãos e a esfera pública.
Paralelamente à deslocação do diálogo para os postos administrativos e localidades, a Comissão Técnica prevê a realização de mesas redondas em todas as províncias, envolvendo académicos e actores locais, numa estratégia que visa descentralizar o debate e evitar que o processo fique restrito às elites urbanas.
As contribuições recolhidas ao longo deste período serão posteriormente sistematizadas e transformadas em propostas concretas, a serem debatidas num novo ciclo de audições públicas no segundo semestre de 2026.
