Hélder Martins é um dos três membros fundadores da Frelimo ainda vivos. Os outros dois são João Munguambe e Joaquim Chissano. Coincidentemente, os três eram da UDENAMO, movimento que, juntamente com a MANU e UNAMI, fundiram-se e formaram a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Martins, que celebra 90 anos de idade no próximo dia 24 Fevereiro, mantém uma lucidez e memória invejáveis.
Em entrevista exclusiva ao SAVANA, na noite desta terça-feira, considerou que a execução dos chamados “traidores da pátria” foi um erro grave e a Frelimo já devia ter dado a mão à palmatória sobre esse capítulo cruel. Enfatiza que, nas revoluções, há sempre erros, assinalando que os “reaccionários” que foram mortos durante o fervor revolucionário deviam ter sido submetidos a julgamento pelo Tribunal Militar Revolucionário, que teria determinado as responsabilidades de cada um.
Hélder Martins, que foi o primeiro-ministro da Saúde depois da independência, faz uma análise do contexto que o país vive, assinalando que a Frelimo se descredibilizou pela sua forma de governar e não está em condições de ganhar eleições livres, justas e transparentes.
Sugere uma terapia de “cura de oposição”, para que o partido no poder possa reflectir e reinventar-se.
Lamenta que a oposição esteja muito enfraquecida, qualificando Venâncio Mondlane de “demagogo”, que promete mundos e fundos.
Salienta que Chapo prometeu “fazer coisas diferentes para obter resultados diferentes”, mas os resultados tardam. O actual presidente da República tem um discurso bonito sobre a independência económica, mas não demonstra sinais de mudança, sublinha o médico e pesquisador, já reformado, numa entrevista que publicada na íntegra na edição do SAVANA desta sexta-feira.
