Ao seu estilo característico, António Muchanga, que já foi deputado da Assembleia da República (AR), porta-voz da Renamo e de Afonso Dhlakama, e actualmente membro sénior da formação política da oposição, decidiu, esta quarta-feira, manter o verbo afiado e o dedo apontado ao actual grupo dirigente, liderado por Ossufo Momade.
Muchanga, à saída do Palácio da Justiça, na cidade de Maputo, posicionou-se e disse que a Renamo devia deixar de ser dirigida por imbecis, referindo-se aos membros do Conselho Jurisdicional e a outros dirigentes do elenco de Ossufo Momade.
Muchanga falava a jornalistas depois de saber que o Tribunal tinha anuído a Providência Cautelar por ele interposta contra a suspensão que tinha sido imposta pelo Conselho Jurisdicional do partido Renamo. Muchanga, visivelmente satisfeito com a decisão do tribunal, que o autoriza a continuar a usar símbolos, património e a participar em actividades da Renamo, não hesitou em apontar responsáveis pela situação tida como de palidez em torno da imagem e reputação do partido.
“A Renamo precisa aprender e saber que não se pode deixar dirigir por imbecis. Precisa escolher os melhores quadros que o país tem, que são tantos até dentro do partido Renamo. Lamentavelmente, são ignorados por aqueles que querem perpetuar a destruição da democracia no país”, acusou Muchanga.
Para o antigo deputado da Renamo, os imbecis são “as pessoas que assinaram o tal documento do Conselho Jurisdicional, porque eles sabem que não têm competência”.
“Primeiro, quando alguém é jurista, tem de ver se ele é competente ou não. Segundo, se a medida tomada está prevista ou não. Eles não são competentes. A medida que tomaram em [me] suspender, não existe nos estatutos do partido” – criticou Muchanga, ladeado por um pequeno grupo de apoiantes.
E acrescentou: “Eles pensam e fazem. Então, é este acto e este comportamento imbecil que nós queremos combatê-lo, do chefe deles e outros seus acólitos”. Muchanga foi mais longe ao afirmar que o partido “está a ser muito mal dirigido” por “pessoas sem competência ou pessoas com rancor, que estão preparadas para destruir”, o partido.
“Não aprenderam nada do que o presidente Afonso Dhlakama nos ensinou, não aprenderam nada do que o general André Matsangaissa nos ensinou. Portanto, nós somos herdeiros dessa fortuna que o Matsangaissa nos deu”, declarou, prometendo lutar pela “protecção desta fortuna.”
Muchanga anunciou ainda que a batalha judicial está apenas no início e vai alastrar a lista daqueles que devem cessar no partido. “Para além do presidente do partido, este Conselho Jurisdicional terá que cessar. A direcção do Conselho Nacional, ainda estamos a analisar, se for necessário, também terá que cessar”, advertiu Muchanga
E garantiu que o processo principal e eventual acção de indemnização por danos estão a caminho: “Estamos hoje por causa da Providência Cautelar, aqui voltaremos por causa da acção principal e, se for necessário, voltaremos para exigir a indemnização pelos danos causados” neste caso pelo partido.
O advogado do político Muchanga, que acompanhou o cliente ao Palácio da Justiça, explicou a decisão judicial. “A nossa Providência Cautelar, em concreto, era para suspender aquela medida que a Renamo impôs”, referiu o advogado, adiantando que a Renamo foi notificada para que a 3 de Abril procure contraditar a Providência Cautelar ora aceite.
