O presidente do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), Venâncio Mondlane, diz ter ficado estarrecido quando viu o Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) na Zambézia a mentir sem pudor e sem respeito para consigo mesma, simplesmente para defender o partido Frelimo. O político, que se posicionou como o segundo mais votado nas últimas presidenciais, diz que os “argumentos vergonhosos” apresentados para justificar o impedimento da marcha comemorativa do primeiro aniversário e a violência exercida contra os membros do ANAMOLA só reforçaram a sua convicção de ser completamente urgente que sejam encontradas formas que garantam a libertação da Polícia das amarras da Frelimo.
“A Frelimo tem de se desarmar. A Frelimo tem de desarmar a mente dos seus membros. A Frelimo deve parar de instrumentalizar a Polícia. É urgente a Polícia desarmar-se das amarras da Frelimo. A Frelimo deve deixar de sequestrar as Forças de Defesa e Segurança” – disse Venâncio Mondlane, ao longo de uma live transmitida na tarde desta segunda-feira, com o objectivo de reagir aos argumentos apresentados pela corporação no período da manhã, depois de na tarde de sábado ter impedido, na cidade de Quelimane, província da Zambézia, a marcha comemorativa do primeiro aniversário do ANAMOLA.
Venâncio Mondlane recordou na sua transmissão em directo que, depois de muito barulho provocado pela própria Frelimo, a Renamo foi obrigada a desarmar-se, fazendo com que dos dois partidos armados que existiam, ficasse somente um. Tendo ficado sozinha com armas do Estado é a mesma Frelimo que continua a usar do seu poderio bélico para confrontar a oposição, “exactamente porque a Frelimo já percebeu que não está em condições de discutir ideias e ir ao confronto político na base de discussão civilizada e sem armas”.
“A Frelimo continua a usar armas para atacar adversários políticos. Para atacar sociedade civil” – acusou Venâncio Mondlane, desafiando a Frelimo a discutir a sua “impopularidade” na reunião de quadros a ter lugar, a partir de sexta-feira, na cidade de Chimoio, província de Manica. Além do desafio colocado à Frelimo, Mondlane diz que está expectante para ver se a Polícia vai colocar blindados à porta do aeroporto de Chimoio para receber o presidente da Frelimo e outros dirigentes do partido.
“Há acordos para se interromper a reunião da Frelimo, como aconteceu com o ANAMOLA?” – questionou o presidente do ANAMOLA, para quem a “Frelimo, há muito que deixou de ser um partido de massas para se tornar uma organização elitista e terrorista”.
De acordo com Venâncio Mondlane, o partido Frelimo só poderá recuperar a confiança popular no dia que deixar de roubar ao povo, “tal como aconteceu recentemente com os 500 milhões roubados do suor dos trabalhadores que depositam para a sua pensão no Instituto Nacional de Segurança Social”. Aliás, em relação a este assunto, Venâncio Mondlane recordou que o saque teve lugar no reinado ministerial de Verónica Macamo, a actual presidente da Assembleia da República. Isto, acrescenta, demonstra que, mais uma vez, o saque só teve lugar com autorização e para o benefício do partido Frelimo e seus apaniguados.
Mentiras vergonhosas
Em relação à justificação apresentada pela Polícia em torno dos acontecimentos da tarde de sábado passado, Venâncio Mondlane começou por dizer que, apesar de conhecer os salamaleques à Frelimo, não imaginava que esta pudesse vir a público dizer “inverdades vergonhosas”.
Para Mondlane, em caso de qualquer dúvida sobre o entendimento de que a Polícia mentiu descaradamente, é só recordar que as comemorações, a partir da chegada ao Aeroporto de Quelimane, foram transmitidas em directo. Ou seja, tendo havido algum acto de desobediência e desacato à autoridade, tal situação está documentada. Não sendo apresentada, fica a prova de que a Polícia apenas veio a público para dizer o que a Frelimo disse que devia dizer.
Sobre o suposto acordo que dizia que a marcha poderia ser interrompida caso houvesse alguma situação anómala, Venâncio Mondlane desafia a Polícia a provar a existência do acordo nesses termos. Questiona, por outro lado, o argumento de que a Polícia começou a agir depois de uma análise prévia de que o evento devia ser adiado, na medida em que à chegada ao aeroporto, os blindados já estavam posicionados, o que significa que a Unidade de Intervenção Rápida tinha sido accionada muito antes.
A tese de que não houve uso de balas reais é, para Venâncio Mondlane, qualquer surreal, tendo em conta que cápsulas foram apanhadas no chão e um membro do ANAMOLA foi ferido por um projéctil de uma arma de fogo. O importante para aquele dirigente político é que está tudo documentado e as provas existem até nas unidades sanitárias onde os feridos foram assistidos.