O Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME) deu a conhecer que os preços dos combustíveis no país poderão agravar-se em breve, caso persistam pressões sobre a factura de importações. Falando a jornalistas esta quinta-feira, a directora nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Cunhete, não avançou datas para o anúncio de novos preços, nem as respectivas margens percentuais.
Apesar da trégua decretada no conflito entre os EUA, Israel e o Irão, esta quarta-feira, que resultou numa reacção rápida dos mercados, com o abrandamento do preço do barril, Felisbela Cunhete afirmou que persistem riscos, destacando a destruição de refinarias e outras infra-estruturas logísticas, que podem ter peso na determinação do preço final dos combustíveis.
A directora nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, no MIREME, explicou que o conflito no Médio Oriente teve um impacto inegável sobre os preços dos combustíveis. Segundo referiu, entre Janeiro e Fevereiro registou-se uma relativa estabilidade de preços, mas o cenário alterou-se a partir de Março, na sequência da escalada do conflito.
A gasolina, por exemplo, custava cerca de USD 700 por tonelada, tendo subido para USD 751 em Março e para USD 1.038 em Abril, o que representa um aumento de 38%. O gasóleo rondava USD 730 por tonelada em Março, tendo passado para USD 1.480 por tonelada em Abril. Já o combustível de aviação (jet fuel) registou a maior subida, passando de USD 769,87 por tonelada em Março para USD 1.592 por tonelada em Abril.
Segundo Felisbela Cunhete, a factura de importação de combustíveis em Abril rondava os USD 232 milhões, depois de ter estado em cerca de USD 80 milhões antes da eclosão do conflito.
Explicou que, por um lado, esta situação exerce uma forte pressão sobre as empresas importadoras de combustíveis, que alegam falta de liquidez; por outro, há a necessidade de garantir o abastecimento permanente do país.
O MIREME aponta que, ao nível regional, com excepção da Namíbia, cujos preços dos combustíveis são semelhantes aos de Moçambique, e do Botswana, que pratica preços mais baixos, os restantes países já procederam ao agravamento dos preços nos respectivos mercados.
É neste contexto que Felisbela Cunhete considera que Moçambique não pode continuar como uma “ilha” face a este cenário, não tendo outra alternativa senão ajustar os preços dos combustíveis. Para já, não avançou datas, sublinhando que o encontro com a imprensa visou preparar a população para um eventual agravamento, explicando que o mesmo não resulta de decisões deliberadas, mas sim de pressões decorrentes das dinâmicas internacionais da logística de combustíveis, que não permitem a manutenção dos preços actuais.
A dirigente não avançou datas, nem as margens de preços de eventuais ajustamentos, mas tudo indica que uma possível revisão poderá ocorrer no final de Abril, como forma de demonstrar alinhamento com o presidente da República, que, nas últimas duas semanas, garantiu que o país dispõe de stocks de combustíveis suficientes para abastecer o mercado nacional até ao final do mês.
Em entrevista à RPT África, o empresário do sector logístico Fernando Couto denunciou a existência de grupos que terão ordenado o estacionamento de navios de combustível nos portos nacionais, à espera da subida dos preços para proceder ao seu descarregamento.
No entanto, Felisbela Cunhete afirmou que o país está a acompanhar a evolução da trégua no conflito no Médio Oriente, que resultou numa rápida reacção dos mercados, com o abrandamento dos preços dos combustíveis. Ainda assim, recordou que o conflito deixou um rasto de destruição em algumas refinarias e infra-estruturas logísticas, o que poderá ter impacto na determinação do preço final dos combustíveis.
Sublinhou, por outro lado, que a factura de importação de combustíveis depende de vários factores determinantes para o seu cálculo.
Acrescentou que qualquer perturbação no sistema leva a uma reacção imediata dos mercados. “Neste momento, seria muito precipitado da nossa parte fazermos previsões em relação às tendências. Vamos monitorar, continuar a monitorar, aguardar e ver o que acontece”, precisou.
Prosseguindo, afirmou: “Ao importarmos combustível com uma factura elevada, naturalmente isso acaba por se reflectir no mercado doméstico. Assim, em algum momento, teremos de ajustar os preços. O governo está ciente desta realidade e, por essa razão, já está a preparar um pacote de medidas para mitigar o impacto. No entanto, se o preço no mercado internacional tiver um comportamento mais favorável, tanto melhor para nós”.
Acrescentou ainda que, caso contrário, o governo está igualmente preparado para implementar um conjunto de medidas destinadas a atenuar o impacto do preço de venda ao público. Isto porque, frisou, o preço dos combustíveis tem um efeito multiplicador em toda a economia nacional.