O julgamento do recurso submetido em Londres pela família do falecido empresário libanês Iskandar Safa contra o Estado moçambicano, na sequência de um processo cível sobre o caso das “dívidas ocultas”, iniciou, nesta quarta-feira, em Londres.
A família de Safa recorreu da sentença em que o Tribunal Comercial de Londres condenou, em Julho de 2024, a empresa de estaleiros navais Privinvest, do falecido empresário libanês, a pagar 1,9 mil milhões de dólares ao Estado moçambicano, pelo seu papel na angariação fraudulenta de mais de dois biliões de dólares, que resultaram nas chamadas “dívidas ocultas”.
O dinheiro seria supostamente usado para o financiamento de projectos de barcos de pescas e de segurança marítima, mas a maior parte das verbas foram desviadas para contas privadas de altos dirigentes do Estado moçambicano e de banqueiros do ex-Credit Suisse, entidade que desembolsou os recursos.
Nas sessões que arrancaram na quarta-feira em Londres, estão sentados, na barra do tribunal, a família de Iskandar Safa, designadamente a viúva do empresário e dois filhos.
Na sessão participa também o procurador-geral da República, Américo Letela, e dois procuradores-gerais adjuntos, em representação de Moçambique.
Além do processo em Londres, o “caso das dívidas ocultas” também desencadeou um processo-crime em Moçambique, resultando na condenação de altos dirigentes do Estado e de Ndambi Guebuza, filho do então Presidente da República Armando Guebuza.
Manuel Chang, ministro das Finanças à data da mobilização fraudulenta dos referidos empréstimos foi condenado a oito anos e meio nos Estados Unidos, tendo regressado este ano a Moçambique, após o cumprimento da pena.