O rei de Marrocos, Mohammed VI, nomeou a presidente da câmara de Marraquexe, Fatima Ezzahra El Mansouri, como primeira-ministra, tornando-a a primeira mulher a liderar um governo no país.
A surpreendente decisão foi anunciada depois do seu partido, o Partido da Autenticidade e Modernidade, ter ganho o maior número de lugares nas eleições parlamentares de 23 de setembro. O presidente da associação de futebol, Fouzi Lekjaa, que liderou a campanha do partido, era amplamente visto como o favorito para o cargo.
A escolha de El Mansouri tem também um significado histórico: ela torna-se a primeira mulher a ocupar a chefia do Governo de Marrocos e a segunda mulher a exercer a função de primeira-ministra num país árabe, depois de Najla Bouden ter chefiado o Governo da Tunísia entre 2021 e 2023.
Falando à imprensa depois da audiência com o Rei, El Mansouri classificou a sua nomeação como um “momento histórico” para Marrocos e afirmou que o facto de uma mulher assumir pela primeira vez a liderança do Governo constitui motivo de orgulho para as mulheres marroquinas.
A nova Chefe do Governo afirmou ainda que recebeu do Soberano orientações para a gestão da próxima fase e anunciou que iniciaria imediatamente consultas dentro do PAM e com as restantes forças políticas.
Segundo El Mansouri, o objectivo será apresentar um Governo capaz de responder às expectativas do Rei e dos cidadãos, com particular atenção às preocupações dos jovens. A dirigente prometeu igualmente um programa baseado em “soluções realistas e concretas”.
A nomeação de El Mansouri resulta directamente da configuração produzida pelas eleições legislativas de Setembro. O Partido Autenticidade e Modernidade conquistou 97 dos 395 lugares da Câmara dos Representantes, ficando à frente do Reagrupamento Nacional dos Independentes (RNI), que obteve 66 lugares, e do Partido Istiqlal, que conquistou 65. O resultado não confere ao PAM maioria absoluta, tornando necessária a negociação com outras forças políticas para constituir uma maioria parlamentar e formar um Governo.