O Presidente da República, Daniel Chapo, apontou, nesta sexta-feira, “a manipulação da opinião, nacional e internacional” como responsável pela “percepção” de violação dos direitos humanos na província de Cabo Delgado, garantindo que o Estado moçambicano está comprometido com o respeito da dignidade humana.
“Quando começou a manipulação da opinião pública, enviámos a CNDH [Comissão Nacional dos Direitos Humanos], para Cabo Delgado. A Comissão fez um trabalho profundo. Não foram constatadas violações de direitos humanos por parte das nossas forças”, afirmou Chapo.
O chefe de Estado moçambicano falava no âmbito da visita que realizou à Delegação Provincial da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) em Cabo Delgado.
O Presidente moçambicano reconheceu o ambiente adverso de percepções que circulam sobre Moçambique.
“Há informações na opinião pública, nacional e internacional, de que não há respeito pelos direitos humanos”, enfatizou.
Daniel Chapo assinalou que o Governo abriu a referida delegação, porque está comprometido com a consolidação do Estado de Direito Democrático e o respeito pelos direitos humanos.
Analistas argumentam que Cabo Delgado não é apenas o epicentro do terrorismo, porque se tornou também palco das disputas interpretativas sobre o comportamento das forças de Defesa e Segurança no terreno.
A título ilustrativo, apontam relatórios internacionais, declarações de organizações humanitárias e análises externas que têm moldado a narrativa global.
No entanto, a visita presidencial altera esse quadro: é a primeira vez que a liderança do Estado entra na própria delegação para posicionar, com clareza, a sua visão.
Num contexto em que Moçambique procura reforçar relações com parceiros internacionais, sobretudo no quadro da segurança e do financiamento da reconstrução, a afirmação de que o Estado tem mecanismos próprios de verificação, é vista como essencial para o posicionamento diplomático.
A presença de Daniel Chapo na delegação funciona como mensagem: o Estado quer aproximar-se, não apenas para reconstruir infraestruturas, mas também para reconstituir a confiança social abalada pela guerra.