Seis dias depois de ter sido capturado por agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e encarcerado na Cadeia Civil de Maputo, o cidadão turco e representante legal da Willow International School, Emre Çınar, conseguiu, na tarde desta segunda-feira, sair em liberdade provisória.
Depois de ouvido na Secção de Investigação Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, o juiz decidiu libertar Emre Çınar sob termo de identidade e residência, depois de sensivelmente três horas de audição em um processo que está a ser associado à perseguição a opositores políticos do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan. Aliás, o colectivo de advogados que assiste a família de Emre não tem dúvidas deste pensamento, tanto que, ao longo da audição não se ouviu qualquer crime diferente a “perseguição” de que o representante legal da Willow em Moçambique é acusado.
Henriques Júnior, à saída do edifício do Palácio da Justiça, onde Emre foi ouvido, apontou questões políticas como móbil da detenção do seu constituinte.
“É essencialmente o que tem acontecido em todo o sítio. Todos que não são apologistas do governo do dia, do governo turco, são considerados personas non gratas. É este tipo de situação política que estão a ser emitidos vários mandados de captura, vários pedidos de extradição a nível internacional e Moçambique não foge à regra”, disse Henriques Júnior, mostrando-se, contudo, satisfeito pelo facto de, pelo menos do ponto de vista judiciário, ter-se conseguido a liberdade provisória do acusado.
Apesar desta libertação, o advogado não deixou de censurar o facto de o seu constituinte ter ficado dias sem acesso ao seu defensor e, por isso, privado de justiça.
Com a liberdade provisória assegurada, o advogado diz que resta agora esperar por passos subsequentes, mas acredita que o processo seja arquivado tendo em conta as suas nuances.