Enquanto os Mambas faziam as malas, apos um fim inglório de uma participação todavia histórica de Moçambique na Copa Africana das Nações (CAN) em futebol masculino, a decorrer em Marrocos desde Dezembro último, este país do Magrebe árabe anunciava uma descoberta inédita para a história da humanidade: fósseis humanos desenterrados em Casablanca, lançam luz inédita sobre um período-chave na evolução humana.
Um estudo publicado na prestigiada revista científica Nature, a 7 de Janeiro de 2026, quarta-feira, por uma equipa de investigação internacional, apresentou a análise de novos fósseis de hominídeos desenterrados numa cavidade na pedreira Thomas I, em Casablanca, Marrocos. Motivo para o anúncio em jubilo do Ministério da Juventude, Cultura e Comunicação do Reino de Marrocos, no mesmo dia. No âmbito do programa franco-marroquino “Pré-história de Casablanca”, a pesquisa paleontológica resulta de uma colaboração institucional entre o Instituto Nacional de Ciências Arqueológicas e Património (INSAP) do Ministério da Juventude, Cultura e Comunicação/Departamento de Cultura do Reino de Marrocos e o Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França, através da missão arqueológica francesa “Casablanca”, e co-dirigida por Abderrahim Mohib (INSAP), Rosalia Gallotti (Universidade de Montpellier Paul Valéry & LabEx Archimède) e Camille Daujeard (MNHN / CNRS – HNHP).
O material estudado, que inclui várias mandíbulas humanas, incluindo as de dois adultos e uma criança, bem como restos dentários e pós-cranianos, combina características arcaicas observadas no Homo erectus com traços derivados mais modernos.
A análise magnetoestratigráfica, com uma resolução sem precedentes para um sítio hominídeo, permitiu a datação destes fósseis com uma precisão extraordinária. Os sedimentos que preenchem a cavidade e contêm os restos fósseis forneceram um registo de alta resolução da inversão magnética Matuyama-Brunhes, datada de há 773.000 anos, fornecendo assim uma das datações mais precisas e robustas para um sítio humano.
A colecção documenta populações humanas que ainda eram pouco compreendidas durante este período crucial, situado entre as primeiras formas do género Homo e linhagens mais recentes.
Estas descobertas preenchem uma lacuna significativa no registo fóssil africano, numa altura em que os dados paleogenéticos situam a divergência entre a linhagem africana que conduziu ao Homo sapiens e as linhagens euro-asiáticas que deram origem aos neandertais e aos denisovanos. Os fósseis exibem uma combinação única de características primitivas e mais evoluídas, reflectindo as populações humanas próximas desta fase de divergência.
Assim, confirmam a antiguidade e a profundidade das raízes africanas da nossa espécie, ao mesmo tempo que destacam o papel fundamental do Norte de África nas principais etapas da evolução humana.
Estes fósseis humanos, desenterrados na Gruta dos Hominídeos, no interior da pedreira Thomas I, perto de Casablanca, Marrocos, lançam uma nova luz sobre um período crucial da evolução humana, há aproximadamente 773 mil anos. Graças à datação precisa baseada em registos do campo magnético terrestre, estes restos mortais podem ser situados com elevada fiabilidade cronológica no início da história das populações humanas em África. Esclarecem o surgimento da linhagem Homo sapiens e reforçam a ideia de que as suas raízes profundas são africanas.
O estudo foi conduzido e apoiado por uma equipa de investigadores do Instituto Nacional de Ciências Arqueológicas e Património (Marrocos); da Direcção do Património Cultural (Marrocos); do Collège de France; do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva (Alemanha); da Universidade de Montpellier Paul Valéry (França); da Universidade de Milão (Itália); da Universidade de Bordéus; e do Museu Nacional de História Natural (França).