Progressos nas negociações entre o Governo e o Fundo Monetário Internacional (FMI), para um novo financiamento, e a retoma dos projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL), na Bacia do Rovuma, poderão galvanizar a economia moçambicana, principalmente no sector privado, a partir do segundo semestre, considera o economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá.
“O progresso nas negociações em curso com o FMI, para um programa com financiamento, e o avanço dos projectos de GNL poderão resultar numa melhoria do sentimento empresarial, na segunda metade do ano”, defende Mussá, no comentário sobre o último relatório mensal do Purchasing Managers Index (PMI), o barómetro do Standard Bank sobre a economia do país. recorde-se que há duas semanas, o Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu uma comunicação, após uma visita de uma missão (12 a 21 de Novembro) a Moçambique, onde manteve as principais exigências: grandes reformas fiscais e na folha salarial, gestão da dívida pública, assim como a questão cambial. Em vários sectores advogou-se que o FMI fechou as portas a um um novo programa com o Governo. Mas na interpretação de fontes governamentais a negociação de um novo programa não estava em cima da mesa. A missão daquela instituição da Brettons Woods era rotineira no âmbito do artigo IV.
Condições climáticas
O PMI do Standard Bank consultado pelo SAVANA subiu para 50,2 pontos em Fevereiro, tendo saído de 50 pontos em Janeiro.
Para Fáusio Mussá, o crescimento registado “sugere que as condições climáticas adversas que se observam desde o início do ano continuam a impactar negativamente o sector privado”.
A avaliação de Fevereiro pode significar ainda que as pressões fiscais recorrentes e a procura insatisfeita de moeda externa continuam a afectar o sentimento empresarial, assinala Mussá.
Entretanto, apesar da forte aceleração da inflação mensal em Janeiro para 1,3%, de 0,5% em Dezembro, devido essencialmente ao impacto do clima adverso sobre a produção agrícola, que elevou a inflação mensal de produtos alimentares para 3,1% em Janeiro, de 1,5% em Dezembro, observa-se que a inflação homóloga anual desacelerou para 3% em Janeiro, de 3,2% em Dezembro.
Essa desaceleração reflecte efeitos estatísticos de base favoráveis, que também se observaram na inflação dos alimentos que desacelerou para 5,7% anuais, de 6,6% anuais.
“Mantemos a nossa previsão de inflação do final do ano, de 4,6% a/a, em termos homólogos, em 2026. No entanto, os riscos para a inflação aumentaram, o que significa que o ciclo de cortes nas taxas de juro da política monetária está próximo do fim”, pode ler-se no comentário do economista-chefe do Standard Bank.
De acordo com Fáusio Mussá, esse registo implica que a “prime rate”do financiamento bancário não caia muito abaixo do nível de Março de 15,6%”.