Banco de Moçambique desfaz-se da Sociedade do Notícias: O zandamela e a sua mão dura

A casa do capital moçambicano tentando se desfazer do sociedade de noticas
O Banco de Moçambique(BM), dirigido desde há oito meses pelo implacável governador Rogério Zandamela, está em vias de abandonar a Sociedade do Notícias, a mais antiga empresa de comunicação social em Moçambique. Ao que o SAVANA apurou, o homem de mão dura que em apenas três meses no cargo instalou nervosismo na banca, não vê de bons olhos o envolvimento do BM em negócios de gestão de empresas jornalísticas.
Teoricamente privada e anónima, a Sociedade do Notícias é detida em quase 100% pelo Estado moçambicano,
através do Banco de Moçambique, que é o accionista maioritário com 55%, e pela Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) e Petróleos de Moçambique (PETROMOC), ambas empresas públicas. O único accionista privado da sociedade é a empresa João Ferreira dos Santos. Fontes bem colocadas no BM asseveram a este jornal que a saída do Banco Central da estrutura acionista da Sociedade do Notícias é um processo irreversível que já está em curso. “O processo não está concluído, ainda está em curso”, garantem. O SAVANA sabe que a iminente saída do Banco Central da estrutura accionista da Sociedade do Notícias foi, inclusivamente, um dos principais temas da recente Assembleia Geral que, a 28 de Março último, afastou António Matonse do cargo de presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa. “Sim(…) na sessão em que foi nomeado o doutor Bento Balói”, confirmam as fontes. Para já, a nomeação de Bento Balói é vista como uma estratégia do Banco de Moçambique, que preferiu colocar um quadro seu de longa data para tratar de perto o processo de retirada. Formado em jornalismo, Bento Balói é funcionário do BM. É de lá onde saiu para a Presidência da República para assessorar o antigo estadista, Joaquim Chissano, na área da imprensa. Autor de “Recados de Alma”, Balói viria mais tarde a tornar-se conselheiro
político de Chissano, quando, em 2003, substituiu António Matonse, nomeado para embaixador de Moçambique em Angola. Quis o destino que, 14 anos depois, Balói voltasse a substituir Matonse na presidência do Conselho de Administração da Sociedade do Notícias. A este semanário, Balói prefere ser prudente: “as melhores pessoas para
te responderem sobre isso são os accionistas, não sou eu”, rematou o PCA.
Para além de a gestão de empresas jornalísticas não constituir vocação de um Banco Central, o Notícias tornou-se,nos últimos anos, num fardo para o BM, visto que a empresa mergulhou numa crise financeira que chegou a colocar em causa a sua sustentabilidade, muito por uma gestão pouco criteriosa pelos seus gestores. O cenário tornou-se mais evidente nos últimos anos da administração de Esselina Macome, a antiga PCA. Ano passado, por exemplo, o matutino “Notícias”, a principal publicação da mais antiga empresa jornalística do país, chegou a não sair à rua por falta de papel. Pelo mesmo motivo, o diário “Notícias” suspendeu a publicação do suplemento cultural e económico.
Há, por outro lado, o que se considera “muita gordura por cortar” numa empresa que possui cerca de 375 trabalhadores em todo o país e a maioria é pessoal de apoio. Em visita à empresa, em Novembro de 2016, o Primeiro-Ministro Carlos Agostinho do Rosário ordenou uma rápida elaboração de um plano de acção para a implementação de um modelo de gestão que reduza os custos operacionais da empresa. Trata-se de um plano que inclui a determinação de medidas concretas para a rentabilização da gráfica da empresa, situada na cidade da Matola. No final da visita, Ana Senda Coanai, a PCA do Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE), o braço empresarial do Governo, reconheceu que a Sociedade do Notícias apresenta uma estrutura de custos pesada.
António Matonse, nomeado em Dezembro de 2016 para PCA da empresa, foi afastado durante uma sessão extraordinária da Assembleia Geral, a 28 de Março último, juntamente, com Augusto Paulino, que ocupava o cargo de vogal do Conselho Fiscal; de Ana Morais, secretária da Mesa da Assembleia Geral, substituídos, respectivamente, por Roberto Hamilton Vieira de Sousa e Margarida Pereira. Com a saída do Banco de Moçambique, espera-se que as suas acções na Sociedade do Notícias sejam transferidas para o IGEPE.








