Empresários moçambicanos com medo dos efeitos Brexit
(Maputo) A Alta Comissária Britânica em Moçambique, Joanna Kuenssberg, visitou, na manhã desta terça-feira, as instalações da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) no sentido de se inteirar e trocar impressões sobre o funcionamento daquela congregação empresarial.
Durante a visita, o empresariado moçambicano filiado à CTA não deixou de emitir a sua grande preocupação em relação ao processo que pode culminar com a retirada do Reino Unido da União Europeia (UE), um processo baptizado pelo nome Brexit.
A preocupação do sector empresarial moçambicano tem, essencialmente, a ver com o entendimento de que as consequências da saída do Reino Unido da UE não ficarão unicamente naquele país e nem na Europa apenas, mas sim, os efeitos serão sentidos, igualmente, em todos os países que têm cooperação firmada com a União Europeia no âmbito dos acordos de Cotonou. Assinado em 2000, o acordo de Cotonou dá as diretrizes da parceria económica entre a UE e as comunidades económicas regionais.
A questão essencial colocada pelos empresários moçambicanos filiados à CTA está relacionada, de forma mais precisa, com o possível inflacionamento dos custos de importação explicados pela possível perca de benefícios de isenções aduaneiras actualmente existentes.
“Estamos a negociar com o governo britânico para ver se pode proceder de forma pragmática e defender os contratos existentes no âmbito do Acordo de Cotonou. No encontro que acabamos de manter hoje (29) com a alta comissária do Reino Unido, colocamos todas questões relacionadas com as possíveis implicações da retirada do Reino Unido da UE ao empresariado nacional”, disse ao mediaFAX, Álvaro Massinga, vice-presidente do conselho directivo da CTA. O pronunciamento foi feito à saída, esta terça-feira, do encontro entre a visitante e o conselho directivo da CTA.
Dos produtos importados do Reino Unido, Massinga destaca instrumentos agrícolas e equipamento para saúde.
A discussão sobre a saída do Reino Unido da União Europeia também divide europeus, com 30 a 40% dos franceses a considerarem que esta seria uma decisão positiva, enquanto a Suécia, a Holanda e a Alemanha encaram este cenário como negativo.
A decisão sobre a saída do Reino Unido do bloco económico europeu foi feita a partir de um referendo popular (plebiscito), realizado em 23 de junho de 2016. Com 51,9% dos votos, a maioria dos cidadãos britânicos optaram pelo Brexit, contra 48,1% que apoiava a permanência do Estado na União Europeia.










