{"id":8245,"date":"2025-04-25T09:41:35","date_gmt":"2025-04-25T07:41:35","guid":{"rendered":"https:\/\/savana.co.mz\/?p=8245"},"modified":"2025-04-25T09:41:39","modified_gmt":"2025-04-25T07:41:39","slug":"crise-na-lam-companhia-de-bandeira-em-continua-decadencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/savana.co.mz\/?p=8245","title":{"rendered":"Crise na LAM: Companhia de bandeira em cont\u00ednua decad\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"\">As Linhas A\u00e9reas de Mo\u00e7ambique (LAM) continuam a operar na zona de turbul\u00eancia, com tend\u00eancia de a situa\u00e7\u00e3o degradar-se cada vez mais e a cada dia que passa. A empresa n\u00e3o disp\u00f5e sequer de uma aeronave pr\u00f3pria. A situa\u00e7\u00e3o agravou-se esta semana, com a retirada de dois CRJ 190 da companhia sul-africana CMR, limitando ainda mais a sua capacidade de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Em 2009, a empresa tinha uma capacidade de 910 lugares nas suas aeronaves e hoje conta apenas com 275 lugares, como consequ\u00eancia de estar a operar com tr\u00eas Embraer E145, dos quais um \u00e9 da subsidiaria Mex e os restantes alugados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">De uma companhia com autonomia para atender a demanda de passageiros, a LAM passou a enfrentar in\u00fameras dificuldades para satisfazer a sua clientela por conta das in\u00fameras d\u00edvidas, que retiram a capacidade financeira da empresa para adquirir ou alugar avi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Com os problemas na LAM, que atingiram o seu ponto cr\u00edtico, v\u00e1rios passageiros nacionais est\u00e3o a usar a Airlink, fazendo liga\u00e7\u00f5es em Joannesburgo para ligar cidades mo\u00e7ambicanas, como Beira, Nampula, Pemba, Tete e Vilanculos. Ou seja, partem de Maputo para Joannesburgo e, partir da cidade sul-africana, ligam destinos mo\u00e7ambicanos. Isto significa que a Airlink est\u00e1 potencialmente a tomar conta de voos dom\u00e9sticos, deixando a LAM para tr\u00e1s. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Nos \u00faltimos dois meses, a companhia de bandeira vive um aut\u00eantico caos para gerir a demanda, semanalmente tem se desdobrado em comunicados de imprensa para comunicar o cancelamento ou reprograma\u00e7\u00e3o de voos devido \u00e0 indisponibilidade de aeronaves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u201cNas \u00faltimas semanas, a LAM est\u00e1 com restri\u00e7\u00f5es de voos, cancelamentos, reprograma\u00e7\u00f5es e at\u00e9 situa\u00e7\u00f5es de excesso de reservas por falta de capacidade de escoamento de passageiros. Isto deriva do facto de a CMR ter rescindido o contrato de aluguer de avi\u00f5es de forma unilateral sem aviso pr\u00e9vio\u201d, esclareceu Alfredo Cossa, porta-voz da LAM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">O <strong>SAVANA <\/strong>apurou que a empresa sul-africana CMR retirou os seus dois avi\u00f5es CRJ 190 por falta pagamento do valor de aluguer dos aparelhos. \u00c9 sabido que a LAM n\u00e3o est\u00e1 a honrar os seus compromissos com diversos fornecedores de servi\u00e7os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A companhia de bandeira nacional n\u00e3o possuiu uma frota pr\u00f3pria de avi\u00f5es, sendo que com a retirada das duas aeronaves CJR 190 com capacidade de 90 lugares cada, pela empresa sul-africana CMR, a LAM fica a operar com tr\u00eas avi\u00f5es de menor capacidade, facto que complica ainda mais a garantia das opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u201cEstamos a voar com dois Embraer 145 com capacidade de 50 passageiros cada, um dos quais da subsidi\u00e1ria MEX e outro alugado. Opera igualmente com outro Embraer 145 alugado, mas com capacidade para transportar 37 passageiros\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Acrescentou que a terceira aeronave opera de forma condicionada devido \u00e0s exig\u00eancias da companhia propriet\u00e1ria. Contas feitas, os dados demonstram que a LAM tem uma capacidade instalada para escoar de uma s\u00f3 vez 137 passeiros, n\u00e3o se sabendo do limite de horas que cada aeronave pode fazer por dia, tendo em conta a sua reduzida capacidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Queda vertiginosa da frota<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Em 2009, a LAM adquiriu tr\u00eas avi\u00f5es Embraer 190 para refor\u00e7ar a sua frota, que j\u00e1 contava com quatro Boeing e tr\u00eas Q400, o que resultava em 910 lugares dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Paulatinamente, a situa\u00e7\u00e3o foi se deteriorando ao ponto de, em 2023, n\u00e3o possuir sequer um avi\u00e3o pr\u00f3prio, ap\u00f3s a retirada de dois Embraer das opera\u00e7\u00f5es para venda no Qu\u00e9nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esta opera\u00e7\u00e3o foi bastante nefasta para a empresa, pois contrariamente ao previsto, as aeronaves foram vendidas em pe\u00e7as depois de tanto tempo estagnadas nos <em>hangares<\/em> dos aeroportos quenianos e com d\u00edvidas de estacionamento acumuladas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esta opera\u00e7\u00e3o reduziu a capacidade de lugares de 910 para cerca de 600, sendo que at\u00e9 finais de 2024 a capacidade reduziu ainda mais para cerca de 302 lugares, ap\u00f3s a retirada da Boeing 737-700.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Actualmente, com a retirada do Q400 para manuten\u00e7\u00e3o por ter esgotado o ciclo de horas dispon\u00edveis para voar, agravada com a retirada de dois CRJ pela empresa sul-africana, a LAM ficou com uma capacidade de 275 lugares dispon\u00edveis para transportar passageiros em cada sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">A empresa refere que em condi\u00e7\u00f5es normais tem uma demanda de 915 passageiros para serem evacuados de Maputo para as prov\u00edncias e o mesmo n\u00famero no sentido contr\u00e1rio, incluindo voos regionais como <em>Dar es Salam,<\/em> na Tanz\u00e2nia, e <em>Johannesburg<\/em>, na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Nas condi\u00e7\u00f5es descritas, a LAM transporta 1.830 passageiros diariamente, sendo metade em cada sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Actualmente, a LAM tem capacidade instalada de 275 lugares, o que significa que pode escoar esse n\u00famero de Maputo para as prov\u00edncias e o mesmo no sentido contr\u00e1rio, incluindo destinos regionais acima referenciados. Assim, nas actuais condi\u00e7\u00f5es, a transportadora a\u00e9rea nacional pode transportar 550 passageiros por dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Essa situa\u00e7\u00e3o tem embara\u00e7ado grosso modo os utentes que buscam pelos servi\u00e7os da LAM, que s\u00e3o obrigados a estar horas a fio nos aeroportos nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">\u201cNos faz\u00edamos voos para todos destinos nacionais numa base di\u00e1ria, agora n\u00e3o estamos a conseguir dar uma resposta di\u00e1ria. Podemos, por exemplo, fazer os voos Maputo-Nampula-Maputo; Maputo-Pemba- Maputo e cancelamos os voos de Chimoio e Beira. \u00c9 uma rotina di\u00e1ria que temos que fazer gest\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Para sair da situa\u00e7\u00e3o, Cossa disse que a empresa est\u00e1 a negociar com diferentes parceiros. Sem avan\u00e7ar datas, prometeu que dentro em breve ser\u00e1 alcan\u00e7ado um acordo nesse sentido, mas o <strong>SAVANA<\/strong> sabe que o processo n\u00e3o est\u00e1 sendo f\u00e1cil devido a problemas de tesouraria que a empresa enfrenta e o descr\u00e9dito que tem nos mercados internacionais por conta dos in\u00fameros incumprimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">&nbsp;No entanto, fez notar que para uma medida de curto prazo para resolver esta situa\u00e7\u00e3o pontual, a LAM precisa, no m\u00ednimo, de dois Boeing 737-700 com capacidade de 132 passageiros cada, ou ainda uma op\u00e7\u00e3o mista envolvendo um Boeing 737-700 e um Embraer 190 de 89 lugares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Como medida de longo prazo, o porta-voz fala da necessidade de sete avi\u00f5es que podem garantir as opera\u00e7\u00f5es da companhia sem sobressaltos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\"><strong>Finaliza\u00e7\u00e3o das escrituras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Como parte da solu\u00e7\u00e3o visando a reestrutura\u00e7\u00e3o da companhia de bandeira nacional, cujos indicadores se deterioraram ainda mais ap\u00f3s a interven\u00e7\u00e3o da sul-africana, Fly Modern Ark (FMA), o governo decidiu alienar 91% dos 96 % das ac\u00e7\u00f5es detidas pelo Estado na LAM para tr\u00eas empresas p\u00fablicas, CFM, HCB e EMOSE.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Trata-se de uma opera\u00e7\u00e3o bastante criticada, pelo facto de o Estado vender ac\u00e7\u00f5es para empresas que det\u00e9m o respectivo controlo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Com esta opera\u00e7\u00e3o, a companhia de bandeira espera um encaixe de USD 130 milh\u00f5es, parte dos quais ser\u00e3o usados para aquisi\u00e7\u00e3o de aeronaves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Esta quinta-feira, o <strong>SAVANA<\/strong><strong> <\/strong>questionou a PCA do IGEPE, Ana Senda Coanai, sobre o est\u00e1gio do processo da entrada de novos investidores na LAM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Coanai explicou que a opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 no processo de finaliza\u00e7\u00e3o, aguardando neste momento a assinatura dos contratos de compra e venda e das respectivas escrituras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Depois de o governo ter autorizado a venda, era necess\u00e1rio, segundo a dirigente, que as empresas aprovassem os documentos que estabelecem o n\u00famero de ac\u00e7\u00f5es por serem adquiridas por cada companhia em sede das respectivas assembleias-gerais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Disse que esse processo foi conclu\u00eddo esta semana e, dentro em breve, dever\u00e3o seguir os passos subsequentes que v\u00e3o culminar com o desembolso dos USD 130 milh\u00f5es, que ir\u00e3o permitir a LAM investir parte do valor na aquisi\u00e7\u00e3o de sete avi\u00f5es e outra parte no processo de reestrutura\u00e7\u00e3o da empresa, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">H\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que a outra parte do valor pode ser usada para o pagamento de indemniza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, que ser\u00e3o atingidos no \u00e2mbito do prometido processo de racionaliza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra ociosa no seio da companhia, que conta com cerca de 800 trabalhadores, actualmente sustentados por tr\u00eas pequenos avi\u00f5es. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">Coanai assinalou ainda que ser\u00e1 realizada uma Assembleia-Geral da LAM, em data por anunciar, na qual ser\u00e3o apresentados e integrados os novos accionistas, exerc\u00edcio que marcar\u00e1 o desfecho do dossier.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"\">No entanto, no \u00e2mbito do programa de governa\u00e7\u00e3o dos primeiros 100 dias, o executivo comprometeu-se a comprar duas aeronaves, mas at\u00e9 agora n\u00e3o se vislumbra nenhum sinal. Ana Senda Coanai remeteu a responsabilidade do assunto ao executivo, sublinhando que cabe ao governo responder.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Linhas A\u00e9reas de Mo\u00e7ambique (LAM) continuam a operar na zona de turbul\u00eancia, com tend\u00eancia de a situa\u00e7\u00e3o degradar-se cada vez mais e a cada dia que passa. A empresa n\u00e3o disp\u00f5e sequer de uma aeronave pr\u00f3pria. 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