A cultura, o clima e a tecnologia estiveram no centro de debate, realizado esta quarta-feira (17), na cidade da Matola, província de Maputo, sobre o “futuro das cidades”.
Inserido no programa Festival Cidade nas Mãos, que reuniu especialistas, alunos e cidadãos no geral, tinha como objectivo discutir soluções para os vários desafios que as cidades urbanas enfrentam.
O ambientalista Carlos Serra, um dos painelistas, disse que as cidades moçambicanas estão a crescer principalmente através do modelo de auto-produção urbanística.
“Quem está a fazer as cidades somos nós. O Estado não consegue se antecipar em relação a demanda”, afirmou, acrescentando que o crescimento urbano está a ocorrer a um ritmo superior à capacidade de resposta dos serviços públicos e privados.
A fonte frisou que não é contra este modelo de auto-produção, mas é preciso olhar para os factores de crise.
Entretanto, em meio a estes desafios, o especialista considera que a tecnologia pode ser usada a favor da população, desempenhando um papel crucial.
Para o nosso entrevistado, a tecnologia pode ajudar a prever fenómenos climáticos, que nos últimos tempos tendem a ser mais frequentes e extremos, monitorar processos de urbanização, informar e educar sobre a urbanização sustentável e encontrar soluções.
“Se usarmos a tecnologia a nosso favor, a nossa capacidade de prontidão, intervenção e solução cresce exponencialmente, mas o problema é que o país ainda não deu um salto tecnológico”.
Na componente cultural, a interveniente Chanila Saide, defendeu que a cultura é e sempre será uma das principais formas de comunicação entre as diferentes esferas sociais e pode também ser usada para consciencializar os cidadãos.
“A cultura é quem somos, o que falamos, o que fazemos, o que queremos, etc, e através dela nós levamos aquilo que é uma educação para a nossa sociedade”, afirmou Saide, acrescentando que conhecer a história do local que queremos ocupar ajuda a prevenir ou evitar futuros desastres.
Para Chanila Saide, a tecnologia pode ser uma forte aliada na promoção da resiliência das cidades, mas precisa-se ensinar às novas gerações.
“Se começarmos a consciencializar as pessoas desde tenra idade, isso vai desenvolver a cultura de conservação e sustentabilidade nos adultos do amanhã”, defendeu.
Refira-se que este evento é apenas um dos vários que irão decorrer por um período de seis dias (arrancou na segunda-feira, 15) inseridos no programa Festival Cidade na Mãos, culminando com uma visita guiada ao Monumento e Centro de Interpretação da Matola, no sábado (20).