Em finais de Dezembro passado, durante uma mesa-redonda, cujo tema foi “Reconciliação e Unidade Nacional”, integrado no Diálogo Nacional Inclusivo, Graça Machel negou veementemente que Samora Machel tenha ordenado a morte de Uria Simango, enfatizando que o primeiro presidente moçambicano ficou “irritadíssimo” quando “soube” que aquele nacionalista tinha sito morto. A antiga ministra da Educação, no primeiro governo moçambicano pós-independência, assegurou que os filhos de Uria Simango e Celina Simango sabem que Samora Machel não ordenou a morte dos pais. “Ele não mandou matar. (…) Ele foi informado, não tomou essa decisão, a maior parte dos moçambicanos acha que foi Samora Machel, ele não decidiu, foi informado”, insistiu Graça Machel, sustentado que falou do caso, “porque João Pereira se dirigiu pessoalmente a mim”. No debate, o professor João Pereira havia desafiado Graça Machel e outros líderes da Frelimo a darem o exemplo de perdão e reconciliação nacional, apontando uma eventual entrega dos restos mortais aos familiares como um passo importante.
No entanto, Lutero Simango, o filho mais velho do reverendo Uria Simango, acusou Graça Machel de estar a faltar à verdade. Em entrevista exclusiva concedida ao SAVANA, nesta terça-feira, onde abordou vários temas, incluindo a saúde política do partido que dirige, Lutero Simango aconselhou Graça Machel a abandonar a “teoria de mentiras” para inverter a verdade histórica. Disse que até hoje, ninguém do governo comunicou aos filhos as circunstâncias da morte dos seus progenitores. Para o primogénito do reverendo Uria Simango, o responsável número um pela morte deste, da sua mãe e de outros presos políticos, eliminados fisicamente nas alegadas purgas na Frelimo, é Samora Machel, porque, à altura dos factos, este é que dirigia o Estado e a Frelimo. O casal, que terá sido morto nos finais dos anos 1970 ou início de 1980, teve três filhos: Lutero Simango, Daviz Simango e Mauca Simango. O segundo, morreu vítima de doença, em 2021, quando era edil da Beira, e o terceiro foi encontrado morto, em circunstâncias estranhas, em Portugal, onde se encontrava a estudar. Porém, Lutero Simango estranha a morte prematura dos seus dois irmãos e apela ao governo para que entregue as ossadas dos seus pais, para um funeral familiar digno. Leia a entrevista na íntegra, no SAVANA impresso, onde o presidente do MDM, a quarta força política em Moçambique, aborda o Diálogo Nacional Inclusivo em curso, as manifestações pós-eleitorais e o primeiro ano de governação de Daniel Chapo.