Anselmo Abílio Vicente, morto a tiros a 9 de Maio de 2026, era coordenador político da cidade de Chimoio, do partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), e regressava de uma actividade política na cidade do centro de Moçambique.
“Malogrado revolucionário”, natural da Zambézia, filiou-se na ANAMOLA em Fevereiro de 2025, após se ter destacado nas manifestações pós-eleitorais naquela cidade, tendo sido eleito coordenador em Dezembro daquele ano.
Demonstrou, desde cedo, um espírito de militância e um firme compromisso partidário, o que lhe valeu a confiança política para desempenhar tarefas de relevo, como o levantamento estatístico de membros mortos durante as manifestações.
Coordenou acções de mobilização massiva de membros e implantou várias bases políticas nos bairros da urbe.
“A sua capacidade de liderança e a entrega abnegada e incansável na consolidação do partido”, a nível de Chimoio, conquistaram a admiração entre os “revolucionários”.
Perante este acto bárbaro e condenável, a coordenação política provincial da ANAMOLA manifesta o seu repúdio e apela às autoridades competentes para que investiguem e procedam ao rápido esclarecimento deste crime.
“Entretanto, morreu um revolucionário, mas não morreu a revolução. Por isso, reiteramos: podem-nos matar, mas não vamos desistir”, diz a ANAMOLA.
O malogrado deixa uma viúva e cinco filhos.
Anselmo Vicente destacou-se nas manifestações por ter gravado um vídeo que se tornou viral nas redes sociais, enquanto usava uma farda da UIR, apoiando fervorosamente as manifestações e apelando ao uso da força para não conter a manifestação.
Após investigação do episódio, a Polícia abriu uma investigação interna, que culminou com um processo judicial, em que Anselmo Vicente tornou-se uma peça-chave para se averiguar o proprietário do uniforme que vergava no vídeo, explicou ao SAVANA uma fonte ligada ao processo.
Antes de desertar para o partido ANAMOLA, Anselmo Vicente era membro da Renamo e chegou a ocupar uma posição de deputado na Assembleia Provincial pelo partido.
Na altura, tornou-se igualmente um informante do presidente do partido, Ossufo Momade, com quem mais tarde se desentendeu, supostamente por causa dos seus planos ambiciosos na Renamo.
No papel de informante, esteve na posse de informação classificada sobre a Renamo, incluindo a suposta coligação com o partido no poder para os esquemas de fraude eleitoral, refere uma outra fonte.
Descrito nos meandros da Renamo como “confuso e astuto”, contribuía com muitas ideias e, por vezes, injetava fundos pessoais para identificar opositores internos de Ossufo Momade.
Sabe-se igualmente que conduzia um forte trabalho político com vista a assumir a governação municipal de Chimoio nas próximas eleições autárquicas.