Numa altura em que o país regista um alto nível de “perdas de água”, a administradora executiva da Autoridade Reguladora de Águas (AURA), Julieta Felicidade Paulo, defendeu que o regulador do sector não vai aprovar pedidos dos provedores de serviços de abastecimento de água e saneamento sobre a revisão de novas tarifas, se estes não adoptarem medidas imediatas para reduzir “índices de perdas”.
Paulo defendeu esta posição quando falava durante o seminário regional de capacitação em regulação e redução de perdas, uma iniciativa da AURA, que termina nesta quarta-feira em Maputo.
A administradora frisou que há a necessidade de as grandes empresas adoptarem uma estratégia de gestão, que permite tomar medidas correctivas em tempo útil, de modo a melhorar a qualidade do tempo de fornecimento de água ao consumidor, sem, no entanto, prejudicar o sistema.
“O que estamos a chamar atenção aqui é que haja controlo ao dia, tomem-se medidas rápidas, porque o nível de perdas no país é muito alto. Cada um dos provedores de serviços há de vir com uma planilha pedir-nos a revisão de tarifas. O que estão a pedir-nos é aprovar ineficiência. O regulador não vai aprovar, e, não é por nenhuma maldade, é simplesmente porque nós não temos condições, e a população já não vai aceitar porque a anterior também não foi aceite”, avançou a administradora executiva da AURA. Os números da AURA mostram que o nível de perdas de água no país é de cerca de 50%.
No final de dois dias, tempo de duração do evento, espera-se alcançar resultados tangíveis, segundo explicou a administradora executiva da AURA, sobretudo, na questão da definição de estratégia concreta para redução de perdas.
O seminário conta com a participação dos operadores na cadeia de distribuição de água e saneamento da região metropolitana do Grande Maputo, como o Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), Administração de Infraestruturas de Abastecimento de Água e Saneamento (AIAS), entre outros.