Enquanto decorria a leitura do acórdão de proclamação dos resultados pelo Conselho Constitucional (CC), o caos começava a instalar-se nas ruas, em diversos pontos do país, com pneus em chamas e vandalização das infraestruturas públicas e privadas.
No centro da capital moçambicana, os manifestantes barricaram e queimaram pneus nas avenidas Joaquim Chissano e Acordos de Lusaka. Na avenida de Moçambique, a principal via, que liga o país do sul ao norte, o cenário era o mesmo.
Imagens feitas a partir do Katembe, na outra margem da baía de Maputo, mostravam, ao final da tarde desta segunda-feira, a capital do país coberta por fumo negro. Era o resultado de pneus queimados em vários pontos das estradas da cidade, logo após o anúncio dos resultados que deram vitória a Daniel Chapo, candidato presidencial da Frelimo, com 65,17% dos votos. O acórdão do CC, lido pela respectiva presidente Lúcia Ribeiro, admite irregularidades, mas não suficientes para invalidar o resultado eleitoral.
Esquadras queimadas
Várias unidades policiais, com destaque ao posto de controlo de trânsito em Nhongonhana, distrito de Marracuene, foram incendiadas. As infraestruturas públicas na vila de Manhiça, província de Maputo, estão irreconhecíveis. Escolas, que os manifestantes acreditam pertencerem a figuras notáveis da Frelimo, partido no poder a cerca de 50 anos, foram queimadas em vários pontos. Um dos estabelecimentos incendiados fica em Habel Jafar, distrito de Marracuene. É uma escola privada que se acredita pertencer ao comandante geral da Polícia, Bernardino Rafael.
Mesmo com a chuva, que começou a cair no início da noite, desta segunda-feira, o caos prevaleceu. Várias agências bancárias foram queimadas, lojas vandalizadas e saqueadas, incluindo o “Grande Supermercado” da zona de Thandavato, um dos principais estabelecimentos comercias, no distrito de Boane, sul de Moçambique. Uma carrinha Mahindra, pertencente a polícia, em Boane, foi reduzida a cinzas. Alguns agentes policiais tiveram que despir o uniforme para não serem vítimas de populares furiosos.
As portagens, que há muito eram visadas e já não estavam a cobrar passagens, não escaparam à fúria popular. A portagem de Cumbeza e Matola Garre, em Maputo, geridas pela Revimo, foram vandalizadas e incendiadas. A Portagem de Maputo também foi vandalizada. No bairro da Maxaquene, na periferia de Maputo, um tribunal foi queimado. Na manhã desta terça-feira, o caos prevalecia. Em vários pontos do país, como Beira, Nacala, e distrito de Lalaua (Nampula) havia vários focos vandalizações. Na manhã desta terça-feira, o distrito de Murrupula (Nampula) e Alto Molócue (Zambézia) reinava um clima de grande tensão.