As cheias que assolaram principalmente a zona sul do país, deixaram um rasto de destruição, desalojaram famílias inteiras, e criaram vários outros constrangimentos, incluindo o adiamento do ano lectivo-2026. A abertura oficial foi a 27 de Fevereiro do ano em curso. Contudo, o arranque das aulas acontece numa altura em que algumas escolas ainda permanecem como Centros de Acomodação das vítimas das cheias.
Porém, a Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, garantiu que estava tudo a postos para o arranque das aulas, embora tenha reconhecido que têm enfrentado desafios.
“Não vamos perder nada, ajustamos o ano lectivo observando o currículo, o programa de ensino e o tempo disponível para lecionação”, garantiu Tovela.
Segundo a dirigente, pelo menos 717 escolas foram afectadas, prejudicando um universo de 247.249 alunos e 6.743 professores.
“A nível do Governo, estamos a mobilizar espaços para acomodar a população e libertar as escolas”, disse na ocasião, acrescentando que adaptaram algumas tendas para aprendizagem, principalmente em zonas que as escolas foram completamente destruídas.
Arranque tardio pode ter consequências
Recorde-se que o arranque do ano lectivo foi adiado e as aulas começaram nesta segunda-feira. Mas uma especialista em educação, alerta que este início tardio das aulas pode trazer consequências significativas no aproveitamento pedagógico dos alunos.
Em entrevista ao SAVANA, Isabel Francisco disse que quanto mais tempo as crianças ficam sem actividade, esquecem-se do que aprenderam.
“Sabemos que em casa, poucos são os encarregados que fazem a revisão das matérias com as crianças, principalmente neste período das férias”, frisou, lembrando que alguns alunos entraram em férias em Outubro e outras em Novembro.
Aliás, a fonte diz ainda que este adiamento pode contribuir para o abandono escolar.
“Estudo mostram que quanto mais tempo fora da escola, mais provável que essa criança possa desistir”, disse.
Contudo, trabalhar com os pais para que o aprendizado não seja só na sala de aulas e motivação do próprio professor e outros factores, podem amenizar os impactos deste adiamento.
Entretanto, pais e encarregados de educação esperam que o ano lectivo decorra com maior estabilidade, de modo a recuperar o tempo perdido e assegurar o cumprimento do programa escolar para 2026.
O relatório actualizado do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastre (INGD), sobre os impactos da época chuvosa e ciclónica 2025/2026, indica que 20 centros de acomodação ainda estão activos.