Moçambique continua entre os países com maior índice de seroprevalência, a nível mundial, com mais de 2 milhões de pessoas vivendo com a doença, de acordo com os dados do Conselho Nacional de Combate ao HIV/Sida (CNCS).
O combate a esta pandemia é maioritariamente dependente do apoio externo. Entretanto, nos últimos tempos, este financiamento internacional está a registar uma redução, por isso, segundo as autoridades, urge a necessidade de apostar e aumentar o financiamento doméstico.
O alerta foi dado esta quarta-feira (05), em Maputo, durante um workshop sobre o financiamento sustentável da resposta ao HIV, organizado pelo Observatório Cidadão para Saúde (OCS).
Os especialistas defendem que é preciso “começar a andar com as próprias pernas”, reinventando-se a todo o custo e a todos os níveis, não só na saúde, mas em outros sectores, mobilizando recursos internos para garantir a continuidade dos programas de prevenção e combate ao HIV.
“Se medidas não forem tomadas, face a esta redução do financiamento externo, o país arrisca-se a perder todos os ganhos importantes já alcançados no combate ao HIV”, alerta Rogério Simango, coordenador do pilar de financiamento e gastos públicos do Observatório.
Projecções indicam um défice de USD354 milhões
Segundo as projecções apresentadas no estudo do Observatório, o país pode enfrentar um défice de USD354 milhões para financiar a resposta ao HIV, já neste ano de 2026, se não forem encontradas outras fontes de financiamento, para compensar os cortes no apoio externo.
O mesmo estudo aponta que o sector enfrenta um subfinanciamento crónico. Só para se ter uma ideia, em 2025, o sector recebeu apenas 9% do Orçamento de Estado, o que está abaixo da meta estabelecida pela Declaração de Abuja que é de 15%.
E mais, a despesa per capita, em saúde, é de apenas USD19, contra os USD86 recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Em meio a este cenário de redução da ajuda externa, os especialistas recomendam aumentar o financiamento doméstico, diversificar as fontes de financiamento, planear uma transição financeira, fortalecer sistemas e governança, proteger os serviços essenciais e reforçar a participação da Sociedade Civil. (Tânia Pereira)