A posição das Forças de Defesa e Segurança (FDS) instalada nos arredores do lago Inguri, aldeia de Miangalewa, distrito de Muidumbe, norte de Cabo Delgado, foi fortemente atacada na tarde da última quinta-feira, por bandos terroristas que há mais de cinco anos vêm semeando terror nas regiões centro e norte daquela província.
Localmente fala-se de uma acção que resultou em, pelo menos, cinco soldados das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) mortos, vários feridos e desaparecidos, assim como diverso equipamento militar “arrancado” pelos insurgentes, que se diz ter preparado minuciosamente o ataque contra a posição denominada “Manhiça”, do exército moçambicano.
O ataque vem contrariar o ambiente de acalmia e a aparente fragilização dos grupos atacantes, tendo em conta que há algum tempo não se assistia a uma realidade de enfrentamento directo a uma posição das forças moçambicanas. Exceptuando a intensa circulação de terroristas ao longo do rio Messalo, particularmente nos postos administrativos de Quiterajo e Mucojo, distrito de Macomia, pouquíssimas eram as acções ofensivas dos grupos contra posições das Forças de Defesa e Segurança.
Aliás, há sensivelmente uma semana, o Presidente da República e Comandante Chefe das Forças de Defesa e Segurança, Filipe Nyusi, aplaudiu o que considerou acções e resultados satisfatórios do combate ao terrorismo no Teatro Operacional Norte, que teriam resultado na morte de “muitos, muitos terroristas”.
Em relação ao ataque à base Manhiça, os canais de propaganda do Estado Islâmico publicaram imagens e vídeos reivindicando ter protagonizado a “acção bem-sucedida” com recurso ao que consideram “armas ligeiras e médias”. Sobre os danos, os números divulgados pela propaganda do grupo coincidem com a informação de cinco mortes nas fileiras do exército moçambicano. Falam ainda de ferimentos e fuga de vários outros elementos das forças moçambicanas.
Nos vídeos e imagens publicadas consegue-se ver, igualmente, cabanas a serem incendiadas, assim como quantidades significativas de equipamento bélico, com destaque para metralhadoras PK e AKM.
(Texto co-produzido com a Zitamar News no âmbito do projecto Cabo Ligado, em parceria com a ACLED. A presente matéria é da responsabilidade do mediaFAX)